quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Nem aí

amor vivi
a morte vi
ih?

Ida

v e m   s e r
e
n
c
e
r

(cole aqui a sua foto)

No rezar

lembrar da história
começar de dentro
deixar viver

A volta

retroceder
metrô
se der

Caminhada

no meu passo
a paciência
passa

segunda-feira, 7 de maio de 2012

O anjo dos anjos


Se você é do tipo que gosta de silêncio quando entra em táxi, não use os serviços do Márcio Câmara. Ele é daqueles motoristas cheios de “causos” para contar. Não interessa se é sua primeira viagem ou não, você fica sabendo da vida dele em pouco tempo. Desde a infância difícil, passando pela adolescência rebelde até chegar na família que construiu, nas viagens de acampamento que faz com a esposa e com o filhinho, aventuras que são apresentadas aos passageiros nas fotos que leva no console do carro. É tanta vida que sua fala não tem vírgula, é a ansiedade de quem gosta de desafiar os próprios sonhos, sente prazer na luta e saboreia cada mínima conquista. 

Foi quando me levou para uma reunião numa editora que descobri o seu gosto pela literatura e  o projeto pessoal de um livro, mas não era qualquer livro. Ele queria contar as histórias de vida dos moradores de rua, mostrar quem eram aquelas pessoas, o que tinham passado, qual foi sua trajetória. Depoimentos cheios de dificuldades e também de superação. De muita dor e também de alegria. Pessoalmente, como um repórter apaixonado por sua pauta, foi conhecer estes homens e mulheres para ouvir o que tinham a dizer. Registrou estas vidas em foto e em texto, uma por uma.  

Márcio não completou o primeiro grau e tem consciência de quem ainda lhe falta conhecimento formal, mas nada foi mais importante do que sua vontade de contar bonitas histórias, de ajudar pessoas, de dar voz a quem não tem, de revelar a força individual de quem simplesmente é invisível para a sociedade. Nem a opinião desconfiada da própria esposa o impediu de ir atrás de suas parcerias (revisor, diagramador, gráficas etc.), não mediu esforços para convencer quem fosse preciso. Manteve firme seu propósito, acreditando que, do seu pedaço, transformaria o mundo. 

Fiquei emocionada quando recebi o livro “Anjos da Rua – Você é Feliz e Não Sabe”, a primeira obra do taxista mais falador e sonhador do Alto da Lapa, de quem me orgulho de ser amiga. No envelope, uma cartinha carinhosa agradecia o incentivo dado no passado. “Renata, você está nos agradecimentos apenas porque, um dia, me disse 'escreva com o coração'”. São nesses momentos que tenho certeza que todos nós, sonhadores, estamos no caminho certo.

Como o próprio autor diz, "a livraria soy yo". Então, se você tiver interesse em adquirir o livro, ligue para ele no telefone 8660.4877 e leve, gratuitamente, umas boas risadas. A renda da vendas será revertida para os personagens. Muito massa, não acha? Eu acho. 

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Coisa de artista

Você já recebeu uma declaração de amor como esta?
Eu já.

* * *

Por Caio Tozzi

Tem coisas nela que só eu vejo, tenho certeza.
Outras em mim, só ela tem. Como nunca ninguém.
As razões de acontecimentos deste porte na história da humanidade são tão simples como a possibilidade de uma rima insólita no meio de uma frase sem qualquer intenção.
Poesia pura, sem força, sem explicação.
Encontro nos versos do maior poeta do nosso cancioneiro – afinal, quem seria melhor para nos entender? -  um único e singelo fator que resume os porquês da maior transformação do mundo:
tudo se fez porque era ela. E porque era eu.
E porque assim era o amor.
Como um quadro bem pintado.
Um romance bem escrito.
Uma poesia bem versada.
Uma canção bem cantada.
Amor bem amado é como arte.
Coisa de artista, mesmo.
Como era ela.
E como era eu.